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ESPÉCIES MIGRATÓRIAS DE ÁGUA DOCE FIGURAM ENTRE AS MAIS AMEAÇADAS DO MUNDO


O relatório Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce, apresentado durante a COP15 em Campo Grande, revelou um cenário preocupante ao identificar 325 espécies que demandam urgentemente esforços internacionais de conservação.



  Manaus, 26/03/2026


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ESPÉCIES MIGRATÓRIAS DE ÁGUA DOCE FIGURAM ENTRE AS MAIS AMEAÇADAS DO MUNDO





O relatório Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce, apresentado durante a COP15 em Campo Grande, revelou um cenário preocupante ao identificar 325 espécies que demandam urgentemente esforços internacionais de conservação. Desse montante global, 55 espécies estão localizadas na América Latina, o que levou a Bacia Amazônica a ser classificada como uma área prioritária para ações de proteção no âmbito da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres. De acordo com Rita Mesquita, secretária Nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, o estudo destaca especificamente 20 espécies amazônicas que sofrem severamente com os impactos das mudanças climáticas, especialmente após os episódios de secas extremas que afetaram drasticamente os recursos hídricos da região.

 

Os dados apresentados expõem uma crise silenciosa que ocorre abaixo da superfície, evidenciada pelo declínio de aproximadamente 81% nas populações mundiais de peixes migratórios de água doce desde a década de 1970. Esse desaparecimento em massa é impulsionado por uma combinação de fatores, como a construção de barragens que bloqueiam rotas naturais, a poluição por plásticos e substâncias químicas, além da prática da pesca predatória. Tais ameaças são agravadas pelo aquecimento global, que promove a degradação e a fragmentação dos habitats. Com rios cada vez mais rasos e desconectados, os peixes perdem a capacidade fundamental de migrar para se alimentar ou realizar seus ciclos de reprodução, colocando em risco o equilíbrio de todo o ecossistema.

 

De acordo com o pesquisador Carlos Durigan, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, esse cenário gera uma pressão severa sobre diversas espécies que são fundamentais para a sobrevivência na região. Essas populações de peixes não representam apenas a base da economia local, mas constituem a principal fonte de proteína para as comunidades ribeirinhas. O especialista alerta que as consequências desse desequilíbrio ultrapassam as fronteiras da Amazônia brasileira, afetando diretamente a segurança alimentar e o sustento de todos os povos que vivem ao longo das bacias hidrográficas conectadas. 

 

 

Delegação brasileira

 

Segundo a secretária Rita Mesquita, a delegação brasileira tem desempenhado um papel ativo na COP15 ao apresentar propostas estratégicas para conter a redução das espécies migratórias que transitam pelo país. Um dos marcos dessa atuação é o Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios da Amazônia, um projeto desenvolvido de forma colaborativa entre 2024 e 2025. Essa iniciativa conta com a cooperação direta de nações vizinhas, como Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, visando estabelecer uma gestão compartilhada e eficiente para a preservação desses peixes em toda a bacia hidrográfica. 

 

A secretária Rita Mesquita reforça que o ciclo de vida dessas espécies é marcado por uma jornada extraordinária, na qual os peixes percorrem cerca de 11 mil quilômetros para alcançar suas áreas de reprodução e atingir a maturidade biológica. Devido a esse longo trajeto, que ignora fronteiras geográficas, qualquer esforço de conservação isolado dentro do território brasileiro seria insuficiente. Para o sucesso da preservação, é fundamental que as ações do Brasil sejam replicadas e coordenadas com os demais países vizinhos, garantindo uma proteção contínua ao longo de todo o percurso migratório. 

 

Além da proteção na Bacia Amazônica, o Brasil defende a inclusão do surubim-pintado (Pseudoplatystoma corruscans), peixe nativo da Bacia do Prata, no Anexo II da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias. Essa movimentação reflete uma lacuna apontada pelo próprio relatório global, que confirma a existência de inúmeras outras espécies com comportamento migratório que ainda não recebem a devida proteção internacional.

 

Nesse contexto, a secretária Rita Mesquita destaca que o país está finalizando a atualização de sua lista nacional de espécies ameaçadas de extinção. Esse novo levantamento revela que diversos peixes tiveram seu estado de vulnerabilidade agravado, o que acende um alerta sobre a urgência de intensificar e aprimorar as estratégias de conservação para evitar perdas irreversíveis à biodiversidade brasileira.

 

 

 

 

Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br


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