Um relatório recente da ONU Mulheres revelou que as denúncias de violência contra jornalistas do sexo feminino dobraram mundialmente desde 2020, evidenciando como as agressões, principalmente no ambiente digital, têm limitado a atuação feminina na esfera pública. De acordo com o levantamento, 12% dessas profissionais e ativistas já tiveram imagens pessoais compartilhadas sem autorização, enquanto 6% foram alvo de "deepfakes", técnica que utiliza inteligência artificial para criar montagens realistas e enganosas. Kalliopi Mingeirou, especialista da ONU, alerta que o uso de novas tecnologias potencializou o alcance desses abusos, alimentando a misoginia e ameaçando conquistas democráticas e direitos históricos.
Os dados mostram ainda o forte impacto psicológico e profissional dessa realidade, com uma em cada três profissionais relatando ter recebido abordagens sexuais por meios digitais e 25% sofrendo de ansiedade ou depressão devido à violência sofrida. Para evitar novos ataques, cerca de 45% das jornalistas admitiram ter recorrido à autocensura nas redes sociais no último ano. Apesar de o Banco Mundial apontar que menos de 40% das nações possuem legislações específicas contra o assédio cibernético, o estudo nota um movimento crescente de resistência: o índice de mulheres que buscaram medidas judiciais contra seus agressores subiu de 6% para 14% no período analisado.
Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br
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