A Biblioteca da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), situada na avenida Carvalho Leal, número 1.777, no bairro Cachoeirinha, está sediando a XII Mostra Fotográfica da instituição. Sob o tema “Entre Rios e Concretos: olhares sobre a Amazônia”, a exposição destaca o contraste e o encontro entre o desenvolvimento urbano e a preservação da floresta, permanecendo aberta ao público acadêmico até o dia 18 de junho, no horário das 8h às 18h.
O evento é fruto de uma tradição que já dura uma década e faz parte das atividades práticas da disciplina de Fotografia Digital Básica, ministrada sob a orientação da professora doutora Vilma Melo. A iniciativa conta ainda com o suporte logístico e institucional da Unidade de Desenvolvimento Docente e Apoio ao Ensino (Uddae) e da empresa Foto Nascimento. O objetivo principal do projeto é converter os cenários do dia a dia em narrativas visuais profundas, que estimulam reflexões sobre temas como identidade, meio ambiente e a expansão das cidades.
Nesta edição especial, os visitantes podem conferir um total de 36 obras visuais concebidas por estudantes de cursos voltados para o setor de saúde, capturadas durante uma atividade de campo realizada na região da Ponta Negra. Para enriquecer ainda mais a experiência dos espectadores, cada uma das imagens expostas é harmonizada com um haicai, que são poemas sintéticos de estrutura tradicional japonesa em três versos, cuja função é expandir e aprofundar os sentimentos e as mensagens propostas pelos registros visuais.
As obras expostas integram conceitos teóricos da disciplina, a exemplo de iluminação e composição, combinados à prática do Miksang, uma técnica de meditação visual voltada para a contemplação e a percepção aguçada do dia a dia. Essa abordagem permitiu que os acadêmicos apurassem sua sensibilidade para registrar ambientes, indivíduos e minúcias do entorno.
Sob a perspectiva da professora doutora Vilma Melo, o aprendizado da fotografia possui uma relação direta com a qualificação profissional na área da saúde. A docente ressalta que a compreensão dos fundamentos fotográficos prepara os futuros profissionais para cenários modernos como a telessaúde, em que a habilidade de capturar ou avaliar imagens de qualidade é essencial para o diagnóstico e o suporte remoto aos pacientes. Além disso, a professora salienta que o exercício fotográfico aprimora de forma significativa a capacidade de observação dos estudantes, uma competência que se reflete diretamente no cuidado clínico, tornando-os mais atentos e sensíveis à realidade de quem atendem.
Complementando essa visão, a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Docente e Apoio ao Ensino (Uddae), professora doutora Adriana Taveira, enfatizou a relevância do evento. Para ela, a exposição consolida-se como um espaço fundamental de reflexão para os alunos, promovendo uma conexão humanizada e profunda entre a arte de observar o cotidiano e a essência do cuidado com o ser humano.
“A mostra traz a experiência da fotografia, no dia a dia, como uma maneira de parar, respirar, pensar e refletir, também, sobre o que vemos, com um olhar mais aberto e atento para as coisas que estão ao nosso redor, mas que, na correria do trabalho, das atividades e dos estudos, acabam passando despercebidas.”
Entre as obras que integram a exposição, destaca-se o registro feito por Manuella Cruz, acadêmica do terceiro período da faculdade de Medicina. A imagem capturada pela estudante, que retrata a imensidão do rio em harmonia com o momento espontâneo de duas crianças brincando com uma bola, despertou na própria autora profundas reflexões sobre a vida e a existência humana.
“Eu consegui capturar, exatamente, o momento em que a bola estava no céu e as crianças estavam ali rindo. Senti muita felicidade, o que me fez olhar para os pequenos momentos. Perceber que cada instante é um frame e que, se fosse depois, já seria outra foto.”
A futura médica reforça que a essência dessa conexão reside justamente no ato de contemplar. Sob sua ótica, a experiência é diretamente aplicável a atividades como a pesquisa científica, apresentações em congressos acadêmicos e, de modo especial, ao desenvolvimento de estudos de caso e relatos de experiência. Para Manuella, o exercício fotográfico funcionou como um estímulo para enxergar a realidade sob novos ângulos, capturando o instante preciso e absorvendo a carga emocional envolvida. Ela conclui que essa sensibilidade para acolher e compreender a fundo a história de vida dos pacientes representa um pilar indispensável para o exercício da medicina.
Os interessados têm a oportunidade de acompanhar os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes acessando as imagens diretamente por meio do seguinte link: https://drive.google.com/drive/folders/1NWuNnv3OlhDjsPglijllunTpKDS4z0oJ.
Fonte: www.uea.edu.br
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