A oferta do medicamento Trikafta no Sistema Único de Saúde (SUS) gerou um impacto expressivo no tratamento da fibrose cística, promovendo uma queda de até 85% nas internações hospitalares da rede pública. Os efeitos do tratamento também se refletiram na diminuição de mais de 90% na demanda por oxigenoterapia domiciliar e no recuo de até 90% nas indicações para transplante de pulmão.
Apresentados em um encontro da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, em Brasília, os dados do Ministério da Saúde mostram os frutos de quase dois anos de disponibilização do fármaco no SUS. O levantamento aponta a atenuação dos quadros infecto-inflamatórios, o que reduziu em mais de 60% a necessidade de antibióticos, além de proporcionar melhora na capacidade respiratória e no estado nutricional dos pacientes.
A fibrose cística é uma condição genética, rara e transmissível entre gerações, caracterizada pela secreção de um muco denso e viscoso que obstrui o sistema digestivo e as vias aéreas. Esse acúmulo provoca quadros contínuos de tosse, infecções pulmonares frequentes e gargalos na absorção de nutrientes, dificultando o ganho de peso.
Atualmente, mais de 2,4 mil pessoas recebem a medicação pelo SUS, alternativa crucial diante do custo médio de R$ 194,5 mil por caixa no mercado privado. O fornecimento ocorre em farmácias de alto custo espalhadas pelo país, mediante a entrega de receita médica válida emitida por especialista. O tratamento é feito oralmente pelo próprio paciente em domicílio, respeitando a dosagem estipulada para o seu quadro clínico.
As conclusões do Ministério da Saúde baseiam-se no acompanhamento de 647 pacientes — abarcando crianças, jovens e adultos — ao longo de doze meses. O monitoramento foi conduzido em 39 centros especializados do país para analisar os resultados da combinação tripla das substâncias elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor, componentes que formam o Trikafta.
Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br
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